segunda-feira, 31 de julho de 2017

parafraseando gugu, somos a chance pra uma boa vida a dois.

conheci a felicidade em você 

tus ojos 
e então
delírio

tus besos
e então
no me puedo concentrar
em
mais
nada

mi corazón
e tuas mãos
em
por
dentro de
mim

mi inspiracion
e de repente as palavras voltam
tu
me cambió la vida entera
seu sorriso me iniciou diversas vezes
esto es para siempre

tu
gabriela
que me basta
es mi bendicion
minha fé

te amo
a cada segundo
sin razón
e por tudo aquilo
que me ganha
por tudo que 

tu é
te amo
como si el mundo
fosse acabar
no proximo segundo
te amo

todo comenzó cuando nos miramos
e então
veintiún meses:
nosso amor
tem o mesmo
peso del alma

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

dicionário

O pesadelo daquele tal de desamor. 
O conserto do barco afundando. 
O macaco que salva a troca de pneu. 
O caos abraçado com a revolução. 
A defesa que os cariocas fazem sobre seu direito de pronunciar o x. 
O alívio da bexiga cheia quando encontra o vaso sanitário.
O encaixe do mecanismo das chaves. 
O fogo moldando o vidro. 
O ferro aquecido tomando forma. 
O blues, o folk, o jazz, o psicodélico. 
A beleza da aurora boreal. 
O incrível momento de fotos espontâneas tiradas na hora certa.
As praias desconhecidas do Brasil.
A passagem pelo túnel do amor na Ucrânia.
Os campos de tulipas da Holanda. 
A imensidão de deserto de sal da Bolívia.
A pureza das praias de Seychelles. 
A distribuição de formas e cores do parque geológico de Zhangye Danxia.
O sentido místico por traz da existência de borboletas.
A sensação de acordar tarde durante a semana. 
A mente em paz com todas suas decisões. 
A certeza do caminho certo sem GPS. 
O primeiro livro do poeta preferido.
Um plástico bolha.
O que enche os olhos. 
A felicidade não contida.
A reciprocidade e entrega mútua. 
Somos tudo aquilo que não sabemos explicar e temos certeza que somos.
Somos o que tinha que acontecer. 
Somos o raro pulsando no peito uma da outra. 
Tudo que se explica, constrói e modifica com corpos e mãos dadas. Nós somos.

Como cheiro de mansinho no pé do pescoço.

Sim, sim, te amo, sim
Como ama o amor
E como o amor não sabia que dava para amar.
Sim, sim, te amo, sim
Como brisa enverga flor
Como dente de leão pelo ar
Como luz de farol desenhando o céu
Como nuvens viajando se fundindo e desenhando no azul
Sim, sim, te amo, sim
Como o perdão chega aflito
Como a saudade arde e convulsiona corações que não calam
Como beija flor voando de costas
Como sacola de mercado rodopiando no ar
Sim, sim, te amo, sim
Como asas nos teus calcanhares
Como asas nas tuas costelas pontuadas
Como os copin brindando a vida
Como a liberdade eufórica de pertencer a alguém

mmmmmmm

Se o prazer tivesse uma casa
Sua rua seria o caminho dos seus pelos ralos até teu umbigo
Se o prazer tivesse um caminho
Suas pintas seriam as pedrinhas pela rua
Se o prazer tivesse uma cor 
Seus olhos pintariam sua aquerela
Se o prazer tivesse um sabor 
Sua buceta seria o motivo do lamber de dedos e lábios
Se o prazer tivesse uma forma
Seus seios e os vãos entre seus dedos seriam sua geometria
Se o prazer tivesse uma música preferida
Seu sussurro ao pé do ouvido o faria escorregar pelos cantos e gozar
Se o prazer tivesse uma vontade
Seu corpo personificaria o que a boca não consegue descrever
Se o prazer tivesse um meio de se fazer presente, se o prazer entendesse o seu poder
Se o prazer percorresse menos o meu corpo, se o prazer movesse minhas pernas ao mesmo tempo que as deixam bambas
Se o prazer soubesse tudo sobre o amor, se o prazer fosse o meu terceiro olho, se o prazer desnudasse minha alma
Se o prazer tivesse poderes mágicos, se o prazer vivesse na ponta na língua, se o prazer fizesse milagres com os dedos
Se o prazer consumisse os pensamentos, se o prazer fosse borboletas, se o prazer fosse pra ser 
Se fosse
Se o prazer fosse 
Seria você.

nada x nada: quanto que dá?

a capa da invisibilidade caiu sobre a minha alma. 
eu sinto muito, os dizeres não me bastam 
porque eu estou vazia
e vazia 
eu corro contra o mundo. 
e vazia
eu esvazio corpos e copos por aí.
e vazia 
eu me jogo na sarjeta. 
e vazia 
eu pinto muros com o sangue da minha língua.
e vazia
eu perco ótimas chances pra poemas.
e vazia
eu encho minha mente com meus demônios.
e vazia
faço promessas que não posso cumprir.
e vazia
os corpos em pé no ônibus são apenas corpos.
e vazia
o meu amor me abandona.
e vazia
me odeio.
e vazia
me amo.
e vazia
eu caio.
e vazia
eu recomeço.
e vazia
eu não paro nunca. 
e vazia.
eu sinto.
porque eu me encho de todo esse nada e continuo. sem parar. 
a capa da invisibilidade caiu sobre a minha alma, mas sobre o meu coração não. 
nunca sobre o coração.

aaaaaaaaaa

você suspirou.

eu pensei: deus, como eu amo essa mulher.
e outro suspiro,
desconfio que me escute.
que de olhos fechados
você me escuta 
pensar no meu amor.

penso isso e:
outro suspiro.

sorrio. 
você me lê. 
me escuta. 
é por isso que te chamo
e você
suspira.
outro suspiro. 
como pode alguém assim?
penso.
me tomou 
de canudinho
até as lagrimas da saudade.

dessa vez o suspiro foi meu. 
penso:
deus, controla
a.

suspiro.
dessa vez, de novo, teu.

ô deus, não tortura. 
eu queria beijar todos esses sons que cê faz. 
eu só queria uma dança mais
até cansar os dedos.
eu só queria arrancar o pé da saudade que ta pisando no meu calo. 

suspiro. 
penso e peço.
mas deus não escuta.
deus não é você,
você me vê até dormindo. 
mas deus...
ah, deus não.
é que deus não leva a sério os apaixonados. 

te escuto.

te suspiro.
te espero.

parada não obrigatória

Teu sono engole meu sono
e por um minuto o mundo para pra te ouvir.
O mundo inteirinho deixando a rotação, a translação, 
aquela giração toda
e ficando calminho 
pra te ouvir dormir. 
O mundo inteirinho de ponta cabeça 
pra pisar no teu teto 
e te ver dormir.
O mundo inteirinho cochichando baixinho 
pra não te acordar 
pra você dormir. 
O mundo inteirinho 
aos pés
da tua cama. 
Eu, engolida, inteirinha
aos teus pés. 
Teu sono engole meu sono,
teu mundo engole o mundo,
você me engoliu. 
Vê? Mesmo dormindo, você me engoliu.
O mundo inteirinho
parando pra te ver
e você parando 
na minha.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

mordido

nem só de amor se vive o homem
nem só
nem só

e
só... o homem vive?
olho pra carne pálida
e sei que não
a solidão não me basta
quem matou esse vício
foi tu
olho pra tu
e sei que não

olho pra pele marcada
depois de uma noite
ou duas
ou três
e sei que não
pode ser depois de uma tarde
e eu continuo sabendo que não

olho pros teus detalhes
e sei que
se o homem vivesse só
se existir
fosse solidão
e solidão anulasse
tua companhia
todos os protocolos do que é ser feliz seriam quebrados

se nem só de amor vive o homem
se nem só o homem vive
estar com você transcende
a loucura que é
abrir e fechar os olhos
dia após dia
eu poderia jurar
que doses cavalares da tua presença
seria uma festa
para a ressurreição dos mortos
e a vida eterna
daqueles que se recusam a morrer
apenas para te olhar
um pouquinho mais

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

desculpe. permita que eu me apresente.

prazer, 

a maior fã dos seus olhos. 

penso em dizer: 
e tem mais!
fã do seu jeito de andar. 
do franzido nos seus lábios quando você contém o riso. 
da sua sobrancelha grossa e vez ou outra arqueada numa dúvida.
das ondas do seu cabelo. 
das pontas do seu dedo.
do formato impecável das suas unhas. 
do tamanho não simétrico dos dedos dos pés. 
dos seios. 
do cheiro do pescoço, da boca, dos cabelos, da buceta, do sexo.
do curvar da cabeça pra trás.
dos cílios enormes no canto dos olhos.
de cada um dos pesares. 
de cada uma das alegrias.
de toda a história.
de tudo que te construiu. 
da tua respiração descompassada ao pegar no sono. 
das pernas jogadas por cima de mim. 
da curvinha do queixo. 
do nariz de papai. 
da pupila dilatada ao olhar pra mim.

não digo. o pensamento voa, mas a fala trava em
a maior fã dos seus olhos. teu universo.

que a licença poética me permita dizer

vamo estrapula as fronteira sim, sinhô
porque se ocê vier mais eu 
e eu couber n'ôce
ocê cabe nimim 
não há lugar no mundo
que não caiba nois assim
juntim